Colóquio “Folclore para além da Dança”


Os Ranchos Folclóricos devem preocupar-se com todas as vertentes do Folclore

“Os Ranchos Folclóricos devem ser museus vivos, que não sejam monótonos e repetitivos”, foi com esta afirmação, que Manuel Farias de Belazaima do Chão, e um dos palestrantes no Colóquio, iniciou a sua intervenção na iniciativa promovida pelo Rancho Folclórico de Retaxo no passado dia 10 de Maio. O presidente da direcção do Grupo” Os Serranos”, e que faz parte do órgão directivo da FFP, lembrou a todos que existem muitas outras formas de representação. Como exemplo, deu o trabalho que o seu grupo tem vindo a desenvolver ao longo destes anos.” Não foi fácil, mas em Folclore nada é fácil”, referiu ainda.
José Luís Adriano, coordenador do Conselho Técnico na Beira Baixa da FFP, “referiu que todos os modelos são temporais, e muitos, já estão ultrapassados. Os festivais de folclore, continuam com o mesmo modelo de há muitas décadas”. Para José Adriano, o modelo actual desta iniciativa de todos, ou quase todos, os grupos folclóricos perde em cada ano que passa cada vez mais público, pois o mesmo, afirma regularmente: “ é sempre a mesma coisa!”. Como sugestão, referiu que os grupos têm que transportar para as suas actuações, os jogos, as brincadeiras, as idas à romaria, etc.
Luís Cassapo, coordenador cultural do Inatel/Covilhã, colocou algumas questões aos presentes, nomeadamente, o que é que está na pesquisa dos grupos folclóricos, pois nas recolhas que efectuam (quando as efectuam) o que preocupa em primeiro lugar é sempre a dança. Normalmente” sabemos o que queremos, mas só nos preocupamos com a dança. Gostaria que quem não se dedica à pesquisa na totalidade, o fizesse”, referiu o técnico do Inatel.
Paulo Jerónimo, responsável do Rancho Folclórico da Boidobra, um bom exemplo no trabalho de representação dos usos e costumes da sua terra e gentes, também se debruçou sobre o tema. Para Paulo Jerónimo, o trabalho que o seu grupo desenvolve não é um “fazer por fazer”, mas sim, o culminar de muita pesquisa transportada para o palco. O folclorista da Boidobra, questionou também os presentes sobre a falta de público nos festivais de folclore (salvo algumas excepções). Para ele, isso fica a dever-se à falta de motivação, pesquisa a trabalho que os grupos, de uma forma geral, apresentam a transportam em todas as suas actuações, não cativando assim o público a assistir.
Um espaço de questões, e sugestões, incluindo a proposta para a realização anual do Festival de Folclore Concelhio, foi bem aproveitado pelos representantes dos grupos presentes. Como nota final, por parte do grupo de Retaxo, a promessa de que este tipo de iniciativas vão continuar a realizar-se.

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